terça-feira, junho 17, 2003


O chip e a rotunda
Quando eu era pequenino instalaram-me um chip no cérebro. Mas sem confusões, o meu chip não é uma daquelas coisas miniaturizadas como se vê hoje nos filmes, é um belo tarôlo, quase do tamanho de uma bolacha LÚ. Como ainda eram muito rudimentares na altura, o chip não permite detectar a minha localização, não me dá descargas eléctricas quando eu tenho pensamentos lascivos ou tampouco me regula o apetite. No fundo é um bocado de silício que me foi metido à força em puto e sem qualquer função aparente. Eu até perguntei aos meus pais:"Ó pais, o que é que o tarôlo que levo aqui na cabeça faz?" E foi aí que me explicaram: não faz nada, aliás, até atrapalha porque sem querer está a bloquear a artéria que-te-incha-quando-puxas-para-cagar (é o nome técnico). Assim sendo a irrigação do meu cérebro é feita a 20% e de vez em quando pára durante umas semanitas. Mas então porquê? O verdadeiro propósito, segundo eles, foi fazer-me uma marca dos tempos, uma intervenção cultural e paisagística na minha tola. Estava estúpido, não percebia... foram meter-me uma merda que não faz nada, só atrapalha e ainda por cima custou uma pipa de massa que podia ser utilizada em outras coisas muito mais urgentes? Pedí para me explicarem com um desenho... e desenharam-me uma rotunda!

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