quarta-feira, setembro 24, 2003

Diário do Manel
"Caro Dr. Manel, porque razão ignora repetidamente os meus pedidos de auxílio, interrompendo a sua rúbrica já lá vão uns tempos?
Há dois meses, quando primeiro lhe escrevi como espero que se recorde, tinha apenas uma comichão na face, cujo incómodo me fazia franzir a cara em ligeiras caretas pouco próprias para uma senhora. Como o Dr. não me resolveu o problema, este foi-se agravando e as caretas depressa se tornaram em esgares de demência Tive a infelicidade de ter um desses ataques de comichão mesmo quando o Porto marcou o segundo golo ao Benfica no fim de semana passado. Ao confundir a comichão com a dor de ver o próprio clube sofrer um golo, o meu namorado só me disse: "Agora és Benfiquista? E eu que pensava que aquilo de gostares de levar na peida era apenas no campo sexual e não no desportivo!" e vai de me mandar um milho em cheio no olho, vazando-o por completo. O problema maior ainda estava para vir, porque engoli o liquido do olho que me escorria cara abaixo, tendo-me engasgado de tal maneira que foram precisas valentes palmadas nas costas para me resolver o problema. Com isso parti uma costela, que me furou os pulmões. Em desespero ainda tentei pedir ao meu namorado que me chamasse uma ambulância, mas só me saía: "ambbb hmmmmppp ambbbbúuuuu fssss aarf arf arf " o coitado, a pensar que eu queria brincar à "vacalhona que arfa" montou-me, cortando por completo o fornecimento de oxigénio ao cérebro durante os dois minutos que aquela maratona de sexo durou. Felizmente o facto de eu já vomitar sangue e de não ter um olho deve ter chamado a atenção do Nando (é o nome do meu mais-que-tudo) que prontamente foi buscar a máquina para me filmar. Como a máquina é do vizinho e ele viu o meu Nando a entrar pela janela, chamou a polícia, que me encontrou a contorcer-me numa poça de sangue. Estive em coma durante dois dias e quando acordei o médico disse-me que a falta de oxigénio no cérebro me tinha deixado meio atrasada mental e que em relação ao olho vazado o mais que podia fazer era colar umas cortinas às sobrancelhas ou então aproveitar o espaço da cavidade ócular para arrumos. Venho de novo até a este espaço de sapiência para lhe perguntar se devo optar por um olho de vidro ou não, é que de facto o espaço extra de arrumos dá-me um certo jeito..."


Cara leitora, em relação à minha ausência, a mesma justifica-se pela quantidade enorme de antidepressivos que receitei, tendo atingido os objectivos do laboratório que me ofereceu uma viagem de dois meses até Bora-bora. Em relação à questão concreta: olho de vidro vs espaço de arrumo, devo dizer que é uma daquelas questões que perturba a classe médica quase tanto como a do Mercedes vs BMW ou iate vs segunda casa no campo. A resposta não é fácil. Se por um lado o olho de vidro tem uma componente estética importante, o espaço extra é muito útil para guardar aqueles itens que têm de estar sempre "debaixo de olho" hehehe. Se estiver indecisa pode sempre pedir ao Nando para lhe vazar a outra vista e assim pode optar pelas duas soluções ao mesmo tempo!

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